Terça-Feira , 12 Novembro 2019
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Foto: Jefferson Peixoto/Secom


As noites frias e ao relento, peregrinando pelo Dique do Tororó como morador de rua, ficaram no passado. Em 2017, Wamberto de Souza Rego, hoje com 48 anos, entrou na Unidade de Acolhimento Institucional (UAI) – Ribeira, que recebe homens solteiros. Um ano e dois meses depois, viu a própria vida ser completamente transformada. 

Depois de ser recebido na casa localizada na Rua Visconde de Caravelas, 150, passou por atendimento médico, acompanhamento psicossocial e cursos profissionalizantes. Hoje, os caminhos ainda o levam a UAI. Porém, não mais na condição de acolhido, mas sim como um dos educadores sociais que trabalham na UAI para casais. Esta unidade foi recentemente inaugurada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre), e funciona ao lado da unidade onde morou Wamberto. 

O trabalho de ressocialização que resgatou a dignidade e acertou em cheio a autoestima de Wamberto é desenvolvido em outras dez UAIs espalhadas pela cidade e administradas pela Sempre. Nascido no Rio de Janeiro, ele lembra como chegou às ruas de Salvador. “Meu irmão era policial e no embate matou quatro pessoas ligadas ao tráfico. Simplesmente chegaram e disseram que eu tinha 24 horas para sumir do Rio. E assim fiz”, lembra emocionado.

Virada – Após passar por outras duas cidades brasileiras e não receber qualquer tipo de apoio, chegou à capital baiana, onde foi recebido na UAI. “Isso aqui é um sonho para quem vive na rua, sem teto, sem comida. Sou testemunha de que poucas cidades no Brasil têm essa estrutura que temos aqui. Devo tudo que consegui conquistar à UAI”, diz. 

No tempo em que viveu na casa foi beneficiado com cursos de estilo gravura, fotografia e capacitação em Educação Social, através de uma parceria com uma universidade. O currículo possibilitou que conquistasse a vaga de educador social na UAI Ribeira. Além do emprego com carteira assinada, salário e benefícios, conseguiu deixar a instituição e viver em uma casa de aluguel, localizada bem perto do trabalho, também no bairro da Ribeira. 

Pai de um jovem de 18 anos, que ingressou recentemente na faculdade, Wamberto afirma que teve a vida reconstruída graças ao trabalho social feito pela Prefeitura de Salvador. “Eu vivi na rua e esse trabalho conseguiu me ajudar a reerguer minha vida. Hoje sou funcionário da casa e ajudo a orientar as pessoas que estão aqui”, revelou. Ele trabalha no apoio social dos acolhidos, das 7h às 19h, em regimes de escala de 12h por 36h. 

Mapeamento – Um levantamento do número total de pessoas em situação de rua em Salvador está sendo realizado através de uma parceria entre a Prefeitura e o Projeto Axé. Serão elaborados mapeamento, contagem e estimativa da população em situação de rua na capital baiana, com foco específico em pessoas que utilizam os espaços públicos como moradia. Por enquanto, a administração municipal trabalha com uma estimativa entre 4,5 mil a 14 mil pessoas em situação de rua. 

Com intuito de ampliar ainda mais a política de assistência social, a Sempre deverá inaugurar outras quatro unidades do tipo nos próximos 90 dias. A UAI da Ribeira, assim como as outras nove unidades em funcionamento, dispõem de equipes multidisciplinares que trabalham 24 horas realizando ações de resgate da autoestima e reinserção de pessoas em situação de rua junto às famílias e ao mercado de trabalho. Entre os profissionais que trabalham nas UAIs estão psicólogos, assistentes sociais e educadores sociais, entre outros.

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