Terça-Feira , 12 Novembro 2019
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Foto: Max Haack - SECOM

Na Semana do Clima da América Latina e Caribe 2019 (LACCW), quando diversas autoridades e representantes de entidades que estudam ou desenvolvem ações ligadas ao meio ambiente se unem para debater formas de mitigar os efeitos das mudanças climáticas, Salvador comemora os avanços estruturais, tecnológicos e educacionais alcançados com este proposito. Uma das principais conquistas obtidas pela Prefeitura nos últimos anos foi o investimento em tecnologia. Com a reformulação da Defesa Civil e a instalação do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec), a cidade passou a dispor de um monitoramento contínuo dos fenômenos climáticos. Estes estudos propiciam a execução de politicas públicas mais assertivas para a população.

Um exemplo destes estudos, de acordo com o diretor-geral da Codesal, Sosthenes Macêdo, é o monitoramento da intensidade das chuvas e a correlação estabelecida, por exemplo, com deslizamentos de terra por região.

“A Semana do Clima nos mostra, de forma clara, os efeitos a médio e longo prazo. Em dados apresentados no evento, a elevação do mar poderá chegar a um metro e meio. Nos meses de julho e agosto, ainda em curso, às águas foram como as de março, o que não ocorria até então. Julho foi o que mais choveu nos últimos cinco anos, março o mês que mais choveu nos últimos dez anos e agosto já aponta indicadores que precisam ser analisados”, explicou. Macêdo afirmou que essa força da maré causou prejuízos fora de época arrebentando a contenção do calçadão das praias da Pituba, Penha e Gamboa.

O Cemadec é o mais avançado do Norte/Nordesde e um dos melhores do país. “Ele nos dá a possibilidade de apontar as necessidades das equipes de campo. Temos 11 sistemas de alerta e mensagem instalados, duas estações de hidrológicas e duas metrológicas entre outros recursos”, destacou o gestor, afirmando que todo o parque tecnológico contribui para um diálogo mais próximo e realista do órgão com as comunidades.

Para o climatologista e integrante do grupo que irá participar da criação do Plano Municipal de Adaptação e Mitigação às Mudanças Climáticas Carlos Nobre, não há como uma cidade se tornar mais resiliente sem contar com a ajuda da população.

“Em Salvador há cerca de 300 mil pessoas vivendo em áreas de alto risco. É preciso a capacitação da população para perceber o risco dos desastres. A cidade precisa estar preparada para responder ao desastre e evitar mortes. Existem ações da Prefeitura, mas a população deve ser capacitada para perceber o risco, começar a tratar a área de uma maneira diferente, entender a problemática de fazer um corte em uma área de risco, por exemplo, além de conhecer as varias ações que não são puramente uma ordem executiva. Vai muito mais educação para a resiliência”, pontuou.

Educação e capacitação – Programas com perfil educacional também são desenvolvidos em paralelo com públicos que possam se tornar multiplicadores de ações e conteúdos nas comunidades que possuem áreas de risco. O programa Mobiliza Defesa Civil, por exemplo, ocorre em parceria com as dez unidades da Prefeitura-Bairro orientando e capacitando as lideranças comunitárias sobre como se comportar em períodos de chuva e em caso de sinistro.

Além disso, são transmitidas nesta capacitação ações que devem ser adotadas para evitar problemas como não descartar lixo irregularmente, não despejar entulho nas áreas de encosta, ter cuidado para não entupir canais e caixas de sarjeta além de não plantar vegetação inadequada nas áreas de encostas.

Para levar conhecimento às comunidades de Salvador a Codesal também realiza parcerias com diversas instituições de ensino superior. Através desta tratativa eles realizam ações estruturais nas dez regiões administrativas da capital que envolvem desde debates e palestras sobre temas que afetam diretamente as comunidades, além da elaboração de projetos que possam minimizar ou sanar problemas locais. Todo esse processo envolve estudantes e profissionais de arquitetura e engenharia, bem como de outras áreas de estudo que levam contribuições aos moradores nas áreas de saúde, história e educação, por exemplo.

Para um público ainda maior, estendendo a capacitação para toda a comunidade, há também a formação de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdec). A iniciativa tem como objetivo a formação de voluntários para atuar nas áreas de riscos da capital baiana na prevenção e redução de acidentes. A capacitação tem duração de cinco dias e aborda temas como a importância da Codesal e o funcionamento do sistema municipal, primeiros socorros, percepção de riscos e como agir em caso de desastres.

Infraestrutura – No quesito estrutural a cidade possui também investimentos contabilizados em novas ferramentas como a geomanta, que é usada para proteção de áreas que historicamente passavam por deslizamentos de terra. Desde que a gestão adotou o recurso na proteção de encostas já foram 152 instaladas em diversos pontos críticos e outras 30 geomantas estão em processo de instalação.

Através da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra) há ainda um trabalho gradativo de execução de contenção de encostas. A gestão já destinou mais de R$ 200 milhões para proteger 280 encostas em Salvador. Esse montante equivale a um terço das áreas de risco da cidade.

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