Quinta-Feira , 20 Junho 2019
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Foto: Jefferson Peixoto - SECOM

Salvador é uma cidade alegre e romântica, uma metrópole encantada que oferece aos enamorados histórias e paisagens de tirar o fôlego. O que poucos sabem, no entanto, é que a cidade já serviu de cenário para paixões lendárias. Dentre elas, o romance do casal formado por Catarina Paraguaçu e Diogo Álvares, o Caramuru, que deu origem à primeira família cristã do país, ainda no período colonial.

O conto de fadas baiano teve inicio em 1509, após o naufrágio de um navio francês nas terras soteropolitanas. Um dos sobreviventes, o jovem Diogo Álvares foi resgatado por índios Tupinambás e batizado posteriormente como Caramuru (Homem de fogo, filho do trovão). Além de ganhar a confiança da tribo, Diogo recebeu uma das filhas do chefe local como esposa: a índia Paraguaçu. A poligamia era bem aceita pelos tupis, o que permitiu a Caramuru ter mais de uma esposa.

“Não se sabe, ao certo, qual era a relação dos tupinambás e europeus com o amor. Mas, Caramuru era um verdadeiro namorador, teve várias mulheres e mais de cem filhos. Ele foi fundamental para o processo de miscigenação étnica na Bahia, que resultou na mistura de raças, de povos e etnias diferentes”, afirma a escritora e dramaturga, Aninha Franco.

Deixando uma longa descendência na genealogia baiana, Diogo Caramuru, morreu em 1557. Já Catarina Paraguaçu, além da devoção ao marido, se converteu ao cristianismo e passou a ser considerada a matriarca do Brasil, morrendo somente em 1583.

“O legado que essa história nos deixou é a compreensão de que nosso povo se formou a partir de diferenças culturais extremas, e que elas continuam existindo e merecendo todo o interesse que dedicamos a esse casal mítico. Poderiam muito bem ser reconhecidos como representantes de todas as formas de amor e de família que existem atualmente em nossa sociedade”, afirma Goli Guerreiro, antropóloga e autora de diversos livros sobre a cultura baiana.

Amor do Poetinha - Em 1969 nascia um amor que ia além dos poemas e novelas, entre Vinicius de Moraes (1913-1980) e Gessy Gesse. Ele, carioca, um dos maiores poetas brasileiros. Ela, baiana, uma atriz do Cinema Novo. Ambos se conheceram através de amigos comuns, como a cantora Maria Betânia. Amor à primeira vista, casaram-se e decidiram viver no bairro de Itapuã, onde foi o novo berço de inspiração para diversas canções de Vinícius e do então parceiro Toquinho, a exemplo de "Tarde em Itapuã", "Morena flor" e "Regra três", em homenagem a sua amada Gessy Gesse. Para marcar a história de um dos pais da Bossa Nova, o "Poetinha", como era conhecido, ganhou uma praça e uma estátua no bairro litorâneo.

Inspiração para muitos corações apaixonados, o casal Jorge Amado e Zélia Gattai serve de modelo para histórias de amor dos baianos. Baiano, jornalista, escritor e autor de alguns dos romances mais famosos do país, como: Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tieta do Agreste e Gabriela, Cravo e Canela, Amado viveu uma grande história de amor com a também escritora, Zélia Gattai Amado. Os dois compartilharam 56 anos de vida juntos e tiveram três filhos. A casa deles foi transformada em museu, onde o público pode conferir cada detalhe dessa trajetória. Um romance que poderia até virar uma obra literária, além de ter como cenário um dos bairros mais boêmios e românticos de Salvador, o Rio Vermelho.

Com tantos contos inspiradores, você não terá desculpas para não deixar o clima de romance invadir o seu Dia dos Namorados. Sejam nos poemas, livros, músicas, pontos turísticos, bairros ou nos carnavais, o romantismo está presente em todos os cantos de Salvador. Independente da relação ou do tipo, ele sempre será representado pelo amor na cidade do axé.

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