Sábado , 23 Março 2019
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O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) descartou, nesta terça-feira (24), o risco de contaminação por césio 137 em uma clínica interditada durante operação em conjunto da Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom), Vigilância Sanitária e Delegacia do Consumidor (Decon). A clínica teve as atividades suspensas pela terceira vez na segunda-feira (23), quando a cápsula do produto radioativo foi encontrada em uma sala usada para a realização de exames de radiodiagnóstico. samu

 

"O material não oferece risco aos pacientes nem aos profissionais. A cápsula estava lacrada e não havia sinais de radiação no ambiente", explica o médico Oswaldo Alves Bastos, subcoordenador de Equipes Especiais do Samu, que participou esta manhã da operação de detecção comandada pelo órgão no Edifício Fundação Polítécnica, na Avenida Sete de Setembro.

 

Interdição - A clínica médica Clicenter foi interditada pela primeira vez no dia 9 de fevereiro, após operação conjunta da Vigilância Sanitária e da Sucom verificar que o local não dispunha das condições sanitárias necessárias para o exercício da medicina.  Além disso, foi constatada a inexistência do alvará de saúde.

 

No dia 11 de fevereiro, os técnicos da Vigilância constataram que parte da clínica estava em pleno funcionamento. "O proprietário ignorou a interdição e reiniciou os atendimentos à revelia dos impedimentos legais", afirma Ana Leiro, chefe de fiscalização da Vigilância Sanitária do Centro Histórico de Salvador. Depois de constatada a irregularidade, foi lavrado um auto de infração e a clínica teve as portas lacradas novamente.

 

Na operação de segunda-feira duas pessoas foram presas por estelionato e exercício ilegal da medicina. O proprietário do centro médico, Joseval Bispo dos Santos, de 50 anos, e Jaconias Venâncio de Souza Junior, de 26, que atendia como clínico geral. Ambos seguem detidos na Decon à espera de transferência para o sistema prisional.   

 

Assustada com toda a movimentação no local, a costureira Elaine Leal, que também fora atendida pelo falso médico e esteve na clínica esta manhã para uma consulta, afirmou estar preocupada porque estava utilizando diversos medicamentos que foram prescritos. "Vou processar a clínica, pois sou cliente há muito tempo e pago caro pelos remédios que ele receitou. Nunca poderia imaginar que se tratava de uma clínica ilegal. Eu já tenho problemas de saúde e, por causa destes irresponsáveis, meu quadro pode se agravar", disse.  

 

De acordo com informações da polícia, na ocasião da prisão Jaconias tinha em mãos um talão de receitas controladas, além de um carimbo e registro profissional com nome de outro médico. Aos policiais ele afirmou ter se formado em medicina numa universidade boliviana, mas não apresentou diploma ou qualquer outro comprovante de que poderia exercer a profissão.  

 

Investigações posteriores apontaram que ele fora preso anteriormente por furto de receitas médicas num hospital em Rondônia.  Jaconias foi autuado ainda por falsidade ideológica e tráfico de drogas, por prescrever ilegalmente medicamento de uso controlado.  

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