Sexta-Feira , 17 Novembro 2017

 

Há 50 anos, um movimento cultural brasileiro – conhecido principalmente na música – sacudiu o país com a ação vanguardista de misturar manifestações tradicionais do país com elementos da cultura pop mundial. E o espírito de renovação provocado pela Tropicália que inspira a segunda edição do Prêmio Caymmi de Música, cuja cerimônia de premiação acontece nesta sexta-feira (18), às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves. O evento conta com patrocínio da Prefeitura, por meio da Empresa Salvador Turismo (Saltur), e a realização está a cargo da Via Press Comunicação e Eventos.

 

Na ocasião, serão conhecidos os 22 vencedores escolhidos entre os 110 artistas, produtores e trabalhos finalistas. As quatro principais categorias são show, canção, música instrumental e videoclipe. Haverá ainda reconhecimento a outras 18 subcategorias técnicas.

 

Com o mote “Música em Movimento”, o Prêmio Caymmi oferecerá para as categorias principais, além do troféu, uma premiação em dinheiro. Entre os nomes finalistas, destaques para o grupo Pirombeira, indicado em oito categorias, e os artistas Larissa Luz, Filipe Lorenzo e Livia Nery, todos com seis indicações cada. A lista completa dos indicados está disponível no site oficial do evento.

 

Bandão - Para mostrar que “Yes, nós temos música”, alguns dos indicados participarão de uma verdadeira confraternização artística no palco, chamada de “Bandão Caymmi”. Idealizado pelo diretor artístico Márcio Meirelles, o espetáculo multimídia é uma grande banda mista formada por 37 finalistas, dentre intérpretes, músicos e arranjadores.

 

“Sendo a referência maior o Tropicalismo, o espetáculo contará com interação de várias linguagens, tendo como máxima a música baiana. Será construído de forma colaborativa pelos artistas, que são os maiores representantes desse movimento musical atual”, explica Meirelles. No Bandão estarão nomes como Achiles, Aiace, Caian, Duo Bavi, Filipe Lorenzo, Flavia Wenceslau, Jr Maceió, Kalu, Luedji Luna, Pirombeira, Renata Bastos, Santini e Trio, Silvio de Carvalho, Skanibais e Tabuleiro Musiquim.

 

As participações especiais do evento ficam a cargo de duas jovens vozes que têm se destacado no cenário musical brasileiro: os cantores e compositores Saulo e Alice Caymmi – esta última neta do homenageado do prêmio, o eterno Dorival Caymmi. Revezando-se no palco, os artistas farão um show com direção musical de Alexandre Lins e que terá como base o disco icônico “Tropicália ou Panis et Circenses”, lançado no auge do movimento, em 1968.

 

Expectativa – Para a chamada nova geração da música baiana, a expectativa e felicidade geradas com a indicação demonstram que o trabalho realizado está no caminho certo. Uma das maiores concorrentes, a cantora Larissa Luz foi indicada para as categorias Direção Artística, Intérprete Vocal Feminino, Produção Musical, Melhor Videoclipe, Produção e Direção, com destaque para as canções “Bonecas Pretas” e “Meu Sexo”.

 

“O que eu acho legal do prêmio é que ele fortalece a cena musical da Bahia de uma forma muito verdadeira e espontânea, mapeando artistas que possivelmente não estão no mainstream (circuito comercial). Fico feliz porque estou sendo valorizada, vista e incluída”, ressalta a cantora.

 

Ansiosos pela primeira apresentação no palco do TCA, o Tabuleiro Musiquim vai demonstrar um pouco a mistura de ritmos como pagode baiano e rock, que marcam o estilo do grupo. “É muito bom tocar numa grande sala que é referência em todo o Brasil”, salienta o vocalista Sílvio de Carvalho, concorrente na categoria Intérprete. O Tabuleiro Musiquim também foi indicada nas categorias Banda e Instrumentista, esta última com Allan Villas Bôas (bateria). Victor Jesus (guitarra) e Henrique Duarte (baixo) fecham o grupo.

 

Já Ricardo Caian – ou simplesmente Caian – é um dos indicados na categoria Revelação. Guitarrista, violonista, compositor e arranjador, tem se destacado no cenário de música independente de Salvador com letras de contestação, acompanhadas de uma mistura de rock a estilos baianos e com influência do Tropicalismo. “Para mim (a indicação) é o mesmo que receber o prêmio. O artista tem que aparecer, ter como mostrar o trabalho, e essa é uma grande oportunidade”, opina o artista, que foi uma das atrações do último dia do Réveillon Salvador 2017.